ABISMOS COLORIDOS

A serie de gravuras Abismos Coloridos são um desdobramento do livro Pequenos Abismos no qual aquarelas circulares feitas de água e nanquim, todas em preto e branco, ecoam poeticamente os riscos obscuros implicados em lembranças da infância.

Ao retirarmos as imagens do contexto da fábula que as engendrou, revela-se a inoperância e a disfuncionalidade dessas imagens. Elas se oferecem para um novo uso, para uma nova leitura poética ou simplesmente para nada. Nesse ponto está aberta a via para uma nova felicidade!

O valor conferido aqui à inoperosidade é importante para compreender porque é tão fascinante a ideia de poder ou não exercer sua função de uso. Conceber a potência criativa ou a potência de um projeto em relação direta com a própria impotência, ou seja, a potência de poder não passar ao ato, é assumir uma liberdade, uma inoperância que possibilita um pensamento crítico sobre si mesmo. Segundo o filósofo Agamben, esse resto inoperante de potência é que torna possível o pensamento do pensamento, a pintura da pintura, a poesia da poesia.

Ao serem colorizadas e apresentadas de forma conjunta, o políptico de gravuras Abismos Coloridos positivam a vida contemplativa (otium) em vez do modo negativo da vida (o negotium), que impede que o homem, aprisionado na lógica da operacionalidade, de pensar a si mesmo abrindo novas possibilidades de existência e resistência.

Abismos Coloridos: Série de gravuras feitas em técnica mista (analógica e digital), tinta nanquim sobre papel Canson e composição digital. Impressão em papel fine arts Hahnemuhle Turner 310 gr no formato 70 x 52 cm